A Braskem planejava protocolar sua recuperação extrajudicial no final de junho, mas esbarrou numa dificuldade clássica: quem emprestou dinheiro para a empresa (os bondholders, que têm títulos de dívida) não chegou a um acordo com a companhia sobre como dividir os prejuízos. É basicamente uma briga sobre quem perde quanto.
Recuperação extrajudicial é um processo onde a empresa negocia diretamente com credores para reestruturar a dívida — sem ir para a Justiça. Parece mais rápido e limpo, mas depende de consenso. E consenso, quando bilhões estão em jogo, é difícil. Os credores querem garantias de que receberão o máximo possível; a Braskem quer esticar prazos e reduzir valores para conseguir respirar.
O impasse não é surpresa: a Braskem é um gigante com dívida pesada e operações por resolver (incluindo questões ambientais). Enquanto o acordo não sai, o mercado fica em xeque-mate — a empresa não consegue captar novo crédito com facilidade, operações seguem constrangidas e acionistas ficam na incerteza. Tudo isso num momento onde o crédito já está apertado.