O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) virou aquela lei que ninguém aprova no Senado, e o governo praticamente desistiu dela para 2026. A consequência: a receita que teria vindo dessa iniciativa — algo próximo a R$ 5,2 bilhões — agora não entra nos cofres públicos, dificultando ainda mais o cumprimento da meta fiscal.
O programa Redata era simples em tese: criar incentivos tributários para atrair investimento em infraestrutura de data centers no Brasil. Parecia ganha-ganha (empresas de tech recebem benefício, Brasil ganha investimento e empregos, governo colhe receita). Mas o Congresso não consegue aprovar nem essa. É sintomático de um problema maior: a dificuldade de o governo passar pautas estruturais em tempo hábil.
Mas qual é a relevância pra quem investe? Bem, quando o governo perde receita prevista, precisa compensar de outras formas: ou corta gastos (nem sempre palatable politicamente), ou aumenta receita de outro lado (aqui entram mudanças tributárias que mexem com investidores), ou deixa o rombo crescer (o que pressiona a moeda e a confiança, afetando renda fixa e ações). Nesse caso, é mais um bloco de incerteza que pesa sobre a narrativa fiscal brasileira.
O real continua cerca de R$ 5,17 por dólar, refletindo justamente esses riscos. Investidores acompanham cada derrota legislativa do governo na agenda de receitas — porque sabem que fiscal frágil = moeda fraca = renda fixa prefixada desconfortável no longo prazo.